Disfagia: o que é, quais os sintomas e a recuperação

Você já ouviu falar em disfagia? Trata-se da alteração na deglutição, ou seja, no ato de engolir alimentos ou saliva.

A disfagia pode ocorrer em diferentes fases da vida, especialmente em idosos. Além da perda do tônus muscular, natural com o passar dos anos, o sintoma pode aparecer junto de doenças como AVC (derrame), traumatismo craniano, câncer de cabeça e pescoço, doenças neurológicas como Parkinson e Alzheimer e, recentemente, estudos como os publicados pela Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) revelaram que esta é também uma das complicações da infecção pelo SARSCoV-2 (coronavírus).

“Quando se fala em Covid-19, tudo é muito novo. Eu diria que não só pacientes intubados podem ter disfagia. Mas aqueles que tiveram sintomas respiratórios mais agravados, podem ter dificuldade de deglutição”, afirmou Marcela Silva, fonoaudióloga da rede Humana Magna, especialista em fonoaudiologia em neuro reabilitação.

“Nossa respiração e deglutição estão relacionadas. Então, pacientes com Covid-19 podem se cansar mais ao terem que mastigar alimentos mais sólidos, durante uma refeição inteira. O mesmo ocorre se ele precisar beber algum líquido em goles seguidos, como fazemos costumeiramente. E tudo o que não queremos que ocorra em um paciente Covid é uma broncoaspiração (quando o alimento vai parar no pulmão), podendo piorar ainda mais o estado do paciente”, continuou ela.

Segundo a profissional, já o paciente intubado, dependendo do tempo em que ele permanece neste estado, ele precisará recuperar a sensibilidade, força e mobilidade da musculatura responsável pela deglutição que estará fraca. “Os exercícios de fonoaudiologia são muito importantes. Nos casos em que o paciente com Covid-19 precisou ser intubado é necessário avaliar não só a deglutição, mas também sua qualidade vocal, pois o procedimento de intubação pode causar lesão em pregas vocais, deixando a qualidade vocal alterada, às vezes com um aspecto mais fraco e soproso. Alguns pacientes que necessitam de traqueostomia devido ao tempo prolongado da intubação, também terão que passar pelo processo de reabilitação da deglutição e fonação”, contou Marcela.

RECUPERAÇÃO
A recuperação, segundo a fonoaudióloga, é possível em muitos casos, mas ocorre de forma gradativa. “Avaliamos se o paciente é responsivo, se consegue compreender o que se pede, se é orientado no tempo e espaço, se consegue engolir a própria saliva e os alimentos, se depois de engolir há alguma alteração na voz, se há tosse… Observamos tudo e, quando necessário, sugerimos junto à equipe médica uma avaliação mais objetiva com uso de exames de imagem ”.

“Após avaliação, definimos o exercício – que pode ser passivo, quando nós ajudamos o paciente, ou ativo, quando ele mesmo é capaz de realizar sozinho – e outras técnicas de estimulação. Aos poucos, um paciente que fez uso de sonda, por exemplo, consegue recuperar a capacidade de ingerir alimentos de diversas consistências”, tranquiliza Marcela.

Importante ressaltar que a disfagia pode provocar danos emocionais e isolamento social, causando sérios problemas como desidratação, desnutrição e pneumonia, além do risco de morte por asfixia.

ATENÇÃO
Confira alguns sintomas da disfagia. Na dúvida, procure um profissional da área:
– Tosse, engasgo e sensação de ‘bolo’ na garganta
– Recusa alimentar e perda de peso
– Alimentos e salivas escapando da boca
– Pneumonias de repetição e febre sem causa aparente
Fonte: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

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